Há uma gramática silenciosa no preto e branco. Ela despoja o mundo de seus adornos e nos obriga a encarar a estrutura das coisas. Naquela ruela, a luz não é apenas um físico; é um guia que corta a pedra fria e aponta para o que está adiante. O caminhante, imerso na sombra, não está perdido. Ele é o equilíbrio exato da cena. Suas mãos ocupadas e seus passos lentos sobre o granito molhado contam a história de quem sabe que o caminho não é feito apenas de claro. A alma humana também possui seus becos escuros, suas passagens estreitas e seus momentos de introspecção profunda.

A dança dos opostos:

A Sombra:  representa o mistério, o descanso do olhar e as verdades que só dizemos a nós mesmos no silêncio.

A Luz:  é o chamado, a fresta de esperança que se derrama entre os telhados e doura o chão áspero.

          Em Santiago de Compostela/Espanha, cada passo é uma oração em movimento. A fotografia captura é instantânea em que a matéria, a pedra, o ferro, a roupa, se torna espírito. Não vemos cores porque, naquele momento, as cores eram um ruído. O que resta é a  essência: o homem, sua carga e a busca incessante por um horizonte que, embora pareça distante, já se faz presente no primeiro raio de sol que toca o pavimento.

Caminhar na sombra é, acima de tudo, um ato de confiança na luz que virá logo após a próxima curva.


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Luz e Sombra Opostos Peterson Visual. Fotógrafo em Aveiro Portugal Peterson Vieira

Luz e Sombra

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